Foto: Rian Lacerda
A presidente do Sindicato dos Professores Municipais de Santa Maria (Sinprosm), Celma Pietczak, afirmou que o atraso no pagamento de aposentados e pensionistas do município abriu 2026 com um cenário de forte instabilidade social e financeira. Em entrevista ao Bom Dia Cidade, da Rádio CDN, nesta quinta-feira (8), ela relatou que o sindicato tem sido procurado desde o início da semana por servidores inativos que enfrentam dificuldades para arcar com despesas básicas diante da falta dos vencimentos.
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Segundo Celma, a situação provoca insegurança, ansiedade e risco de endividamento, especialmente porque se trata de um período de início de mês e de ano, quando contas fixas se acumulam.
– As pessoas estão vivendo essa grande instabilidade de um início de ano com boletos que não esperam se a pessoa tem dinheiro na conta – afirmou.
A dirigente destacou que os relatos recebidos envolvem, principalmente, gastos com saúde e moradia.
– O que mais chama a atenção da gente são essas necessidades básicas. Medicação e aluguel foram algo bastante marcante nesses primeiros dias – disse.
Manifestação
Mesmo com a expectativa de regularização dos pagamentos, Celma afirmou que a mobilização dos aposentados e pensionistas deve continuar. Um novo protesto ocorre nesta quinta-feira (8), na Praça Saldanha Marinho, no centro de Santa Maria, como forma de pressionar o poder público e dar visibilidade ao problema.
A presidente do Sinprosm explicou que o sindicato orienta os professores aposentados e pensionistas a registrarem denúncias no Ministério Público, além de reunirem documentos que comprovem prejuízos financeiros causados pelo atraso, como juros e multas.
– A gente tem orientado que realizem denúncias no site do Ministério Público, porque não estamos falando de algo grandioso. É o salário, é aquilo que garante o dia a dia da casa. Orientamos que juntem as provas para que, depois, possamos judicializar e garantir o ressarcimento desses valores – afirmou.
Entenda o caso
O atraso no pagamento dos aposentados e pensionistas ocorre em um contexto que, segundo Celma Pietczak, já vinha sendo tratado com preocupação pelo sindicato ao longo de 2025. Ela relembrou que o último ano foi marcado por dificuldades financeiras para os servidores municipais, incluindo a ausência de reposição salarial sequer pela inflação.
O problema atingiu aposentados e pensionistas vinculados ao Instituto de Previdência e Assistência à Saúde dos Servidores Públicos Municipais (Ipassp). O instituto informou que o atraso ocorreu em função da necessidade de recálculo da folha, após mudanças nas regras federais do Imposto de Renda, que exigiram ajustes nos descontos. A prefeitura afirmou que repassou os valores ao instituto e atribuiu a crise ao déficit previdenciário do município.
Celma demonstrou apreensão com o início de 2026, citando fatores que pressionam a folha de pagamento, como o uso de receitas de janeiro para quitar pendências do ano anterior e a inclusão de despesas que normalmente não recaem sobre este período, como pagamentos de férias e terços de férias acumulados em razão da greve.
– Isso nos preocupa bastante, porque já significa que o janeiro fica menor para garantir os pagamentos – afirmou.
A dirigente também disse que o sindicato não recebeu confirmação oficial da prefeitura sobre a garantia do salário de janeiro para aposentados e servidores da ativa.
– Queremos muito que isso se confirme, mas não temos a tranquilidade de achar que a situação está resolvida sem um comunicado oficial da prefeitura – concluiu.
Segundo a presidente do Sinprosm, o temor é que o atraso salarial deixe de ser um episódio isolado e passe a se repetir.
Confira a entrevista